Às Raízes que Nos Sustentam

Homenagem a Maria Auxiliadora Santos e João Rodrigues dos Santos

Hoje, 25 de agosto de 2026, quero dedicar estas palavras a duas pessoas que representam muito mais do que uma história de amor: representam raízes, família, perseverança, cuidado, presença e legado.

À minha tia paterna mais velha, Maria Auxiliadora Santos, aos 79 anos, e ao seu esposo, João Rodrigues dos Santos, companheiro de uma caminhada de 60 anos de casamento, deixo o meu reconhecimento, a minha admiração e o meu desejo de que toda essa imensa árvore genealógica possa despertar, enquanto há tempo, para compreender a grandeza do que vocês construíram.

Sessenta anos não são apenas uma quantidade de tempo. São milhares de dias compartilhados, decisões tomadas juntos, dificuldades atravessadas, alegrias celebradas, renúncias, aprendizados, recomeços e, sobretudo, uma família inteira que nasceu dessa união.

Vocês são pais de 6 filhas e 3 filhos, avós de 23 netos e bisavós de 13 bisnetos. E, ao lado de cada filho e filha, também existem genros e noras, pessoas que passaram a integrar essa família e que, igualmente, fazem parte da história que vocês ajudaram a construir.

E há ainda aqueles netos e netas que, ao constituírem suas próprias famílias, trazem genros e noras para essa grande árvore, ampliando ainda mais os seus galhos, seus vínculos e a responsabilidade de todos pela preservação dessa história.

É uma árvore genealógica imensa.

Mas nenhuma árvore permanece de pé apenas porque possui muitos galhos. Ela permanece porque existem raízes.

E vocês são algumas das raízes mais antigas e profundas dessa família.

Por isso, esta homenagem não quer apenas olhar para o passado. Ela quer provocar um despertar no presente.

Que cada filho, cada filha, cada genro, cada nora, cada neto, cada neta e cada bisneto possa compreender, enquanto vocês estão aqui, que determinadas pessoas não devem ser reconhecidas apenas depois que partem.

Há homenagens que precisam ser feitas em vida.

Há abraços que não devem esperar.
Há palavras de gratidão que não precisam ser adiadas.
Há histórias que precisam ser ouvidas diretamente de quem as viveu.
Há fotografias que precisam ser tiradas enquanto todos estão presentes.
Há encontros que precisam acontecer.
Há cuidados que precisam ser assumidos.
E há amores que precisam ser demonstrados sem vergonha e sem demora.

Que ninguém espere a ausência para descobrir o valor da presença.

Que ninguém espere a saudade para reconhecer aquilo que tinha diante dos olhos.

Que todos possam compreender que cuidar de Maria Auxiliadora e João Rodrigues não significa apenas oferecer assistência quando necessária. Significa também proteger sua dignidade, respeitar suas histórias, preservar sua autonomia, ouvi-los, acolhê-los e assegurar que sejam tratados com o respeito que merecem.

E, sobretudo, que os assuntos delicados da família sejam tratados com responsabilidade, maturidade e respeito.

Que aquilo que precisa ser discutido seja discutido com serenidade, preferencialmente sem transformar os próprios idosos em centro de conflitos que não lhes pertencem.

Que nenhuma interpretação individual, ressentimento, dissabor ou versão parcial de acontecimentos seja capaz de apagar a história construída ao longo de décadas.

Que ninguém use os vínculos familiares para produzir afastamentos, rupturas ou formas de alienação afetiva ou parental.

Que as crianças e os jovens dessa família jamais sejam colocados no lugar de escolher lados, carregar conflitos dos adultos ou receber versões que os façam rejeitar pessoas que fazem parte de sua própria história.

Raízes não devem ser usadas como armas. Raízes devem ser preservadas.

É preciso compreender que toda família possui conflitos, diferenças, erros, acertos, dores e capítulos que cada pessoa interpreta a partir do lugar que ocupa.

Mas há algo maior do que as versões individuais: há uma história comum.

E a história de Maria Auxiliadora e João Rodrigues merece ser contada com respeito.

Eles não precisam ser idealizados como pessoas perfeitas. Precisam ser reconhecidos como seres humanos que viveram, trabalharam, amaram, erraram, acertaram, enfrentaram dificuldades e fizeram o possível para que seus filhos, netos e bisnetos pudessem seguir adiante.

É justamente isso que torna uma vida digna de homenagem: não a ausência de dificuldades, mas a capacidade de continuar construindo apesar delas.

Que os 9 filhos e todos os seus descendentes possam olhar para essa árvore e perceber que cada galho carrega um pouco das raízes.

Os filhos carregam parte dessa história.
Os genros e noras também.
Os netos carregam memórias que talvez nem percebam.
Os bisnetos carregam uma herança que ultrapassa aquilo que pode ser explicado por palavras.

E um dia, quando os mais novos perguntarem:

“Quem foram Maria Auxiliadora e João Rodrigues?”

Que não precisemos responder apenas com datas e nomes.

Que possamos dizer:

“Foram aqueles que ajudaram a fazer existir esta família.”

Foram duas pessoas que atravessaram seis décadas juntas e deixaram como consequência desse amor uma descendência numerosa, uma história compartilhada e uma árvore que continua crescendo.

Por isso, hoje, o meu desejo é que essa família desperte cedo, enquanto ainda há tempo, para o verdadeiro significado de legado.

Legado não é apenas patrimônio.

Legado é memória.
É caráter.
É exemplo.
É afeto.
É respeito.
É cuidado.
É a forma como tratamos aqueles que vieram antes de nós.

Que os filhos cuidem dos pais.

Que os irmãos preservem uns aos outros.

Que genros e noras compreendam a responsabilidade de integrar uma história que começou antes deles.

Que netos e netas se aproximem.

Que bisnetos conheçam seus bisavós.

Que todos tenham a oportunidade de ouvir suas histórias, conhecer suas fotografias, perguntar sobre sua juventude, suas dificuldades, seus sonhos e sobre como essa família chegou até aqui.

Porque uma família que conhece suas raízes tem mais condições de compreender seus próprios caminhos.

E que Maria Auxiliadora e João Rodrigues possam receber, ainda em vida, não somente esta homenagem, mas o melhor presente que uma família pode oferecer:

presença, respeito, proteção, cuidado, reconhecimento e amor demonstrado.

Que não seja necessário esperar pela ausência para dizer:

“Vocês foram importantes.”

Que possamos dizer agora:

Vocês são importantes.

Que não seja necessário esperar pela saudade para agradecer.

Agradeçamos enquanto podemos abraçar.

Que não seja necessário perder para perceber.

Percebamos enquanto temos a oportunidade de conviver.

E que essa imensa árvore genealógica compreenda que nenhum de nós chegou sozinho até onde está.

Antes de nossos nomes, existiram outros nomes.

Antes de nossas histórias, existiram outras histórias.

Antes de nossos caminhos, existiram pessoas que abriram caminhos.

Maria Auxiliadora Santos e João Rodrigues dos Santos são parte dessas raízes.

Que seus 60 anos de casamento sejam lembrados não apenas como uma celebração matrimonial, mas como um testemunho de uma vida compartilhada e de uma família que nasceu dessa caminhada.

E que os próximos anos sejam vividos com serenidade, dignidade, saúde, companhia, afeto e a certeza de que sua história é reconhecida por aqueles que vieram depois.

À minha tia Maria Auxiliadora e ao meu tio João Rodrigues, deixo esta homenagem com carinho, respeito e profunda reverência pela história que construíram.

Que toda essa árvore desperte.
Que todos reconheçam as raízes.
Que ninguém destrua, por interpretações equivocadas ou conflitos que não lhes pertencem, aquilo que tantas décadas ajudaram a construir.
E que o amor seja demonstrado enquanto todos ainda podem recebê-lo.

Aracaju, 25 de agosto de 2026.

Ângela Santos de Oliveira
Sobrinha

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