Por que é tão difícil conviver com o diferente?

Porque o diferente nos tira do lugar conhecido. E o ser humano, muitas vezes, sente mais segurança naquilo que consegue compreender, prever e controlar.
Conviver com o diferente pode ser difícil porque:
Temos medo do que não conhecemos. Aquilo que foge dos nossos padrões pode provocar insegurança.
Fomos educados dentro de determinados padrões. Família, cultura, religião, escola e sociedade nos ensinam, consciente ou inconscientemente, o que seria “normal”.
Confundimos diferença com ameaça. Às vezes, interpretamos uma maneira diferente de pensar, agir ou sentir como algo que precisa ser corrigido.
Temos dificuldade de sair de nós mesmos. Empatia exige tentar enxergar o mundo a partir da experiência do outro, e não apenas da nossa.
O diferente também revela nossas próprias limitações. Quando encontramos alguém que pensa ou vive de outra maneira, somos convidados a questionar nossas certezas.
Falta-nos educação para a convivência. Aprendemos muitas coisas na escola, mas nem sempre aprendemos suficientemente a escutar, respeitar, dialogar e lidar com conflitos.
Mas existe uma diferença fundamental entre não concordar e não respeitar.
Não precisamos pensar igual, sentir igual ou viver da mesma maneira para reconhecer a dignidade do outro. Conviver não significa concordar com tudo; significa compreender que o outro tem o direito de existir sem precisar se tornar uma cópia de nós.
Talvez a grande aprendizagem seja esta:
O diferente não é necessariamente um problema a ser resolvido. Muitas vezes, é uma oportunidade de aprendermos aquilo que sozinhos jamais aprenderíamos.
E isso vale especialmente para a educação: uma escola verdadeiramente humana não ensina apenas conteúdos; ensina crianças e adultos a descobrirem que as diferenças não diminuem ninguém — elas ampliam o mundo de todos.

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