A beleza escondida do que ainda não compreendemos: mantras, fé e meditação


Eu repito muitos mantras. Um deles é: “Eu acolho a beleza escondida do que eu ainda não entendo.” Essa afirmação me traz paz, serenidade e calma, porque me ensina que nem tudo precisa ser compreendido imediatamente e que o desconhecido não deve ser, necessariamente, motivo de medo ou inquietação.

Há uma beleza particular em reconhecer que ainda temos muito a aprender. A humildade de admitir os limites do nosso conhecimento abre caminhos para novas percepções, enquanto a disposição para escutar, refletir e acolher nos permite enxergar possibilidades onde, antes, talvez só víssemos dúvidas.

Assim como uma cebola revela suas camadas à medida que suas cascas são retiradas, também nós precisamos atravessar as camadas das nossas experiências, convicções, receios e interpretações para alcançar compreensões mais profundas sobre nós mesmos e sobre a vida. Nem todas as camadas precisam ser rejeitadas; algumas nos protegeram em determinados momentos. Outras, entretanto, já cumpriram sua função e precisam ser reconhecidas e superadas para que possamos continuar amadurecendo.

A meditação pode ser esse encontro silencioso entre o que pensamos, o que sentimos e o que desejamos transformar. Não se trata de esvaziar a mente à força, mas de aprender a observar os pensamentos sem nos tornarmos prisioneiros deles. É respirar, desacelerar e permitir que a consciência encontre espaço para discernir o que merece permanecer, o que precisa ser revisto e o que já podemos deixar partir.

Tenho compreendido que os mantras podem ser sementes de consciência. Quando repetimos palavras que carregam um propósito verdadeiro para nós, oferecemos à mente e ao coração uma oportunidade de reorganizar sentimentos, cultivar serenidade e fortalecer atitudes coerentes com aquilo em que acreditamos.

Por isso, desejo que você também encontre suas próprias palavras, aquelas que surjam de suas reflexões mais sinceras, de seus momentos de silêncio e dos seus insights. Que descubra frases capazes de lhe devolver a calma, ampliar sua compreensão e recordar-lhe a importância de viver com responsabilidade, amor e esperança.

Experimente acolher algumas destas afirmações:

Eu acolho a beleza escondida do que ainda não entendo.

Eu me permito não saber, porque também é da humildade que nasce o conhecimento.

Antes de julgar, procuro compreender. Antes de reagir, respiro. Antes de desistir, reflito.

Entrego a Deus aquilo que não posso controlar e assumo a responsabilidade por aquilo que posso transformar.

Respeito o tempo das respostas, sem abandonar a busca pela verdade.

Que o amor conduza meus pensamentos, o discernimento oriente minhas escolhas e a caridade se manifeste em minhas ações.

Eu não preciso compreender tudo hoje. Preciso permanecer disposta a aprender, amar e fazer o bem.

A fé, quando acompanhada de responsabilidade, não precisa nos afastar da realidade. Pode, ao contrário, fortalecer nossa disposição para enfrentá-la com coragem, lucidez e compaixão. Confiar em Deus não significa deixar de agir, mas reconhecer que há situações que ultrapassam nosso controle e outras que dependem diretamente de nossas escolhas.

A passagem bíblica “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mateus 7:7) nos convida à perseverança. Pedir é reconhecer nossas necessidades; buscar é movimentar-se em direção ao conhecimento; bater é ter coragem de procurar novas possibilidades. E, ao longo desse caminho, também precisamos de discernimento para reconhecer as portas que se abrem e sabedoria para compreender o que fazer com aquilo que encontramos.

Que a meditação não seja uma fuga do mundo, mas uma maneira de retornar a ele com mais serenidade. Que o silêncio nos ajude a ouvir melhor, que a reflexão nos ensine a questionar nossas próprias certezas e que a fé se traduza em atitudes concretas de respeito à dignidade humana e amor ao próximo.

Afinal, a descoberta mais profunda nem sempre consiste em encontrar uma resposta inteiramente nova. Às vezes, ela acontece quando aprendemos a olhar para a mesma realidade com uma consciência mais amadurecida, um coração menos aprisionado pelo medo e uma disposição maior para compreender.

Busque e encontrará. Bata e abrir-se-vos-á. Confie em Deus, mas caminhe com responsabilidade. Acolha o que ainda não compreende, investigue o que precisa conhecer e transforme em bondade aquilo que aprender.

Que cada um de nós encontre suas próprias palavras de paz, seus momentos de meditação e seus caminhos de evolução, sem perder de vista a verdade, a humildade e o compromisso com o bem.

Ângela Santos de Oliveira

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