A linha mais tênue entre a verdade e a ilusão sempre se revela quando a vontade do coração é verdadeiramente guiada pela busca da verdade. O melhor código de ética é aquele que tem Deus no centro, pois, quando o amor habita o coração e a clareza ilumina a alma, não há espaço para manobras mirabolantes destinadas a ludibriar aquilo que, em sua essência, é verdadeiro.
O Estatuto da Pessoa Idosa é lei, e o respeito aos mais velhos também encontra fundamento nos ensinamentos divinos. Há uma sabedoria que o tempo amadurece, uma história que os anos escrevem e um legado que merece ser conhecido e reconhecido. Aqueles que, em cada degrau da existência, procuraram cumprir seu dever deixam marcas que ultrapassam a própria passagem pela vida. Sua reputação se constrói nas atitudes, na coerência e na maneira como trataram as pessoas ao longo de sua caminhada.
A luz do Sol leva pouco mais de oito minutos para chegar à Terra. Quando a percebemos despontando entre nós, sua viagem já aconteceu, e ainda assim a recebemos com gratidão. Que essa imagem nos ensine algo sobre a vida: nem sempre reconhecemos imediatamente aquilo que nos ilumina, mas podemos aprender a acolher cada luz assim que ela se torna visível aos nossos olhos.
Ao encerrar o dia e refletir sobre as bênçãos de Deus, compreendo que a luz reconhecida em seu tempo transforma a gratidão em uma mensagem oportuna. Não devemos esperar a ausência para compreender a presença, nem a despedida para perceber o valor de quem caminhou ao nosso lado.
Reconhecer o valor de alguém que se entregou à vida e ao próximo, muitas vezes a um alto preço, é um dos presentes mais dignos que podemos oferecer enquanto essa pessoa ainda está entre nós.
Que nunca me falte luz nos olhos para enxergar o valor de alguém em vida. Que me baste uma respiração para elevar preces em nome daqueles que se doam, que já se doaram e que continuarão a se doar para tornar a existência de outras pessoas mais digna, justa e humana.
Assim como os recursos da natureza sustentam a vida e nos oferecem condições para existir, há seres humanos que também são verdadeiros produtores de vida, esperança e dias melhores. São pessoas que semeiam oportunidades, acolhem dores, abrem caminhos e trabalham para que a dignidade humana não seja privilégio de poucos, mas um direito de todos.
Por isso, precisamos aprender a reconhecer nossas próprias enfermidades da alma. Quem carrega feridas que ainda não compreendeu pode acabar ferindo outras pessoas. Isso não significa condenar ninguém, mas reconhecer que todos precisamos de cuidado, consciência, responsabilidade e, quando necessário, ajuda para a nossa própria transformação.
Liderar não é ocupar um lugar acima dos outros; é assumir a responsabilidade de servir. O verdadeiro líder compreende que sua autoridade não lhe concede o direito de humilhar, manipular ou ferir. Ao contrário, exige equilíbrio, sensibilidade, compromisso ético e respeito à dignidade de cada pessoa.
A liderança é uma responsabilidade terrena que também pode ser vivida como missão espiritual: servir ao próximo, proteger os mais vulneráveis, promover a justiça e contribuir para o bem comum.
Quem ainda precisa cuidar das próprias feridas deve ter a oportunidade de buscar esse cuidado, sem que isso represente uma condenação definitiva de sua capacidade de mudar. Entretanto, nenhuma posição de liderança deve servir de abrigo para abusos, manipulações ou para a perpetuação do sofrimento alheio. A responsabilidade de cuidar de si também faz parte do compromisso de não ferir os outros.
Que a clareza mental alcance cada um de nós e nos permita reconhecer nossas próprias sombras, compreender nossas enfermidades interiores e tratar as chagas que ainda carregamos. Afinal, quem fere continuamente precisa aprender a interromper esse ciclo, porque quem não consegue governar as próprias atitudes com responsabilidade dificilmente exercerá uma liderança justa e equilibrada.
Que Deus nos conceda discernimento para distinguir a verdade da aparência, humildade para reconhecer nossas falhas, sabedoria para respeitar os mais velhos, sensibilidade para valorizar quem se doa e coragem para não confundir autoridade com superioridade.
Que a luz não nos falte enquanto houver tempo para reconhecer, agradecer, reparar e amar.
Porque a verdadeira grandeza não está em ser servido, mas em compreender a responsabilidade de servir.
Ângela Santos de Oliveira
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