Para desconstruir o valor da universidade pública, há quem tente reduzi-la a estereótipos e preconceitos, chamando-a de lugar de maconheiros, como se isso fosse suficiente para desqualificar sua importância social, científica e humana.
Mas a quem interessa desvalorizar o conhecimento, a pesquisa, a ciência e a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres?
A universidade pública é espaço de produção de conhecimento, desenvolvimento científico, inovação, formação profissional e transformação social. É onde pesquisas podem nascer de problemas concretos da sociedade e contribuir para melhorar a vida de milhões de pessoas.
Desqualificar a universidade por meio de preconceitos é desviar o debate de sua verdadeira finalidade: garantir que o conhecimento não seja privilégio de poucos, mas um direito acessível a todos.
Uma sociedade que aprende a desprezar suas instituições de ensino, pesquisa e extensão corre o risco de enfraquecer a própria capacidade de questionar, refletir, criar e transformar a realidade.
Precisamos compreender que a educação pública não é um favor concedido pelo Estado. É um direito social e um instrumento de construção da cidadania, de redução das desigualdades e de ampliação das oportunidades.
A Universidade Federal de Sergipe (UFS), assim como tantas outras instituições públicas brasileiras, representa o esforço coletivo de professores, pesquisadores, estudantes, servidores e de toda uma sociedade que financia a educação por meio dos tributos.
O conhecimento liberta porque nos ensina a perguntar, investigar, duvidar, argumentar e não aceitar tudo como verdade sem antes examinar os fatos.
Não precisamos idealizar a universidade nem ignorar seus desafios. Precisamos defendê-la com responsabilidade, cobrar qualidade, ampliar a inclusão e reconhecer o valor de suas contribuições para o desenvolvimento do país.
Afinal, uma nação não se torna verdadeiramente rica apenas pela concentração de riquezas nas mãos de poucos, mas também pela capacidade de oferecer educação, ciência, cultura e dignidade a todos.
Desvalorizar a universidade pública é colocar em risco uma das ferramentas mais importantes para que o povo compreenda a realidade e participe da construção de seu próprio futuro.
Uma sociedade de seres pensantes não teme o conhecimento. Investe nele, democratiza seu acesso e reconhece que a educação é uma das sementes mais férteis da liberdade, da justiça social e da dignidade da pessoa humana.
Ângela Santos de Oliveira
Pedagoga e Advogada
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