Amor, vida e trabalho nos conectam.
Quando anotamos o telefone de alguém, muitas vezes também registramos um pouco de sua história: a profissão, a formação, as experiências e os caminhos percorridos. Por trás de cada contato, existe uma pessoa, uma trajetória, uma identidade que se constrói nas relações e no sentimento de pertencimento que nos une de corpo, alma e espírito.
Eu saí dos Correios, mas os Correios não saíram de mim. Foi naquele espaço que também germinou e floresceu uma parte da Ângela que sou hoje. Entre os anos de 2002 e 2010, Deus me permitiu viver experiências que me lapidaram, fortaleceram meus valores e me ensinaram a reconhecer a dignidade que existe no trabalho honesto.
Tenho profundo respeito por quem trabalha com dedicação, especialmente por aqueles que enfrentam uma rotina cansativa e árdua, que exige disposição, resistência, resiliência e renovação diária. O trabalho também nos transforma: desafia nossas limitações, revela nossas capacidades e nos convida a cultivar valores dos quais devemos nos orgulhar, jamais nos envergonhar.
Gosto de pensar no labor como um espaço onde se trabalha e se ora, onde o esforço das mãos se encontra com a intenção da alma. O trabalho pode ser compreendido como um sacro ofício: uma oportunidade de servir, contribuir e dar sentido à própria existência. Não porque toda atividade profissional seja fácil ou justa, mas porque toda pessoa que trabalha honestamente merece respeito, reconhecimento e dignidade.
Alguns status são construídos para alimentar a vaidade e a soberba. Outros títulos podem impressionar aos olhos do mundo, mas não são eles que determinam a grandeza de uma pessoa. A verdadeira grandeza está na humildade de reconhecer-se humano, igual em dignidade a qualquer outro ser humano, inclusive àqueles que a sociedade costuma chamar de pequenos.
Jesus nos ensinou a enxergar grandeza onde muitos não conseguem ver: no serviço, na compaixão, na simplicidade e no amor ao próximo. Sua liderança não se fundamentou na soberba, na opressão ou na necessidade de se colocar acima dos outros, mas na capacidade de servir e de transformar vidas pelo amor.
A maior liderança é aquela que coloca suas habilidades e competências a serviço do bem comum. É aquela que não utiliza o conhecimento para humilhar, o poder para dominar ou as conquistas para se afastar das pessoas, mas transforma seus talentos em instrumentos de justiça, solidariedade e transformação social.
Por isso, não devemos nos envergonhar de nossas origens, das profissões que exercemos ou dos caminhos honestos que percorremos. Cada experiência deixa marcas, ensina alguma coisa e participa da construção de quem somos.
O verdadeiro valor do trabalho não está apenas no salário, no cargo ou no reconhecimento social, mas também na dignidade com que o realizamos e no bem que somos capazes de produzir na vida das pessoas.
Saí dos Correios, mas carrego comigo parte da história que vivi ali. Porque os lugares passam a fazer parte de nós quando neles deixamos trabalho, afeto, aprendizado e humanidade.
Que nunca nos falte humildade para reconhecer nossas raízes, gratidão pelas oportunidades que nos lapidaram e sabedoria para compreender que a maior riqueza de uma trajetória profissional é aquilo que ela nos permite fazer por nós mesmos e pelos outros.
Afinal, amar, trabalhar e viver com propósito são maneiras de expressar nossa humanidade. E, quando colocamos o amor no centro de nossas escolhas, o trabalho deixa de ser apenas uma obrigação e também se torna uma possibilidade de servir à vida e contribuir para um mundo mais justo, fraterno e digno para todos.
Ângela Santos de Oliveira
Comentários