Hoje, e sempre, meu dia tem início, meio e fim indissociáveis da minha trajetória terrena de nutrir meu espírito, meu amor, minha vida e meu trabalho.
Hoje é um dia especial, de homenagem a Nossa Senhora Aparecida. Que magnífica escolha ser Ela a Padroeira do Brasil, país cujo lema nacional é “Ordem e Progresso”!
Que homenagem às mães e às mulheres! Que honra à mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo!
Qual filho se sentiria honrado ao ver sua mãe negligenciada, menosprezada ou desrespeitada em seu nome? Qual filho não se sentiria feliz ao ver sua mãe acolhida com amor, respeito e dignidade?
O Brasil tem uma missão especial. Somos um país marcado pela miscigenação, pela diversidade de povos, culturas, histórias, fenótipos, crenças e modos de existir. Somos muitos, com raízes e trajetórias diferentes, habitando um mesmo território, compartilhando desafios e construindo um destino coletivo.
Do Brasil para o mundo, temos muito a ensinar e, sobretudo, muito a aprender. Nossa pluralidade nos convida a compreender que a humanidade não se limita a uma única cultura, religião, aparência, pensamento ou ideologia. Somos diferentes naquilo que nos identifica, mas compartilhamos a mesma condição humana e a responsabilidade de preservar a vida.
Das muitas religiões ao ateísmo, da liberdade de crença à liberdade de não professar uma fé, a diversidade faz parte da sociedade democrática que devemos proteger. A liberdade religiosa e de consciência, assim como o respeito à dignidade humana, são garantias fundamentais que precisam ser vividas nas relações cotidianas, e não apenas proclamadas em discursos.
A Constituição da República Federativa do Brasil foi promulgada em 5 de outubro de 1988. Seu preâmbulo é uma declaração de compromisso com a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça, valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos. E proclama que a Constituição foi promulgada sob a proteção de Deus.
Seu Artigo 3º estabelece, na íntegra, os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
I — construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II — garantir o desenvolvimento nacional;
III — erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV — promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
Esses objetivos constitucionais nos convocam à responsabilidade. Não basta dizer que acreditamos em Deus; precisamos refletir essa crença em nossas escolhas, atitudes e relações. Para quem segue os ensinamentos de Jesus, amar o próximo, agir com justiça, praticar a misericórdia e acolher os mais vulneráveis são compromissos que precisam ultrapassar as palavras e alcançar a vida concreta.
Não entreguemos às ideologias o poder de justificar os disparates. Busquemos coerência com os valores que professamos, com o respeito à dignidade humana e com o bem de todos.
Perdoai o pecador, não o pecado.
Neste dia especial, somado a todos os outros dias de nossa existência, que sejamos cidadãos e cidadãs que irradiem luz para o mundo. Que nossas incoerências sejam percebidas, sentidas e refletidas por nós mesmos. Que tenhamos humildade para reconhecer nossos erros, rever nossos posicionamentos e compreender que pessoas com ideologias diferentes podem compartilhar a mesma essência humana e o mesmo compromisso com a preservação da vida.
Nosso cérebro, essa estrutura extraordinária da natureza humana, abriga cerca de 86 bilhões de neurônios. Que inteligência tão grandiosa seja colocada a serviço da vida, da ciência, da consciência, da solidariedade e da construção de um mundo melhor!
Se contemplamos a criação como obra divina, reconheçamos também que a responsabilidade por nossas falhas, injustiças e destruições pertence a nós, seres humanos. Não atribuamos a Deus aquilo que nasce de nossas escolhas equivocadas. Que a ciência nos ajude a compreender a natureza e que a fé, para quem a professa, inspire humildade, amor e responsabilidade.
Pensemos em Nossa Senhora, mesmo que nossa religião seja diferente da tradição católica. Se a religião, em sua raiz, busca religar o ser humano a Deus, que jamais nos desligue do respeito à mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Que filho se orgulharia de ver sua mãe negligenciada em nome de uma devoção dirigida somente a ele?
Que contradição existe em proclamar o mandamento de honrar pai e mãe e, ao mesmo tempo, permitir que a imagem da mãe de Jesus seja alvo de zombaria, críticas ofensivas ou menosprezo? Respeitar a representação religiosa de uma mãe não significa exigir que todos professem a mesma fé, mas compreender que a liberdade de crença também requer respeito à consciência alheia.
Pensemos em nossas próprias mães. Gostaríamos de ver suas fotografias, suas histórias e suas memórias desconstruídas e desrespeitadas em nome de alguém que amamos? Defenderíamos a dignidade delas. Por que não refletir sobre essa mesma responsabilidade quando se trata da mãe de alguém cuja história religiosa é tão significativa para milhões de pessoas?
O respeito não exige uniformidade de crenças. Exige humanidade.
O Brasil tem uma missão que podemos compreender como um chamado divino: transformar sua diversidade em força para a humanidade. Aqui se encontram muitos povos, culturas, desigualdades, preconceitos e possibilidades. É justamente diante dessas contradições que somos convocados a chamar a realidade à ordem e a construir o progresso da humanidade.
Essa missão começa dentro de nós — em nossos pensamentos, sentimentos, palavras e escolhas — e se concretiza fora de nós, em nossas ações sociais, na defesa dos direitos fundamentais, na educação, na justiça, na solidariedade e no cuidado com a vida.
Que a ordem não seja confundida com autoritarismo, nem o progresso com o enriquecimento de poucos. Que a verdadeira ordem seja construída sobre a justiça, e que o verdadeiro progresso alcance a dignidade de todos.
Que Nossa Senhora Aparecida nos inspire a reconhecer o valor da maternidade, a respeitar as diferenças e a cultivar a fraternidade. Que a fé não seja instrumento de divisão, mas fonte de amor, consciência e compromisso com o próximo.
Que Nossa SENHORA APARECIDA nos ajude a ser gigantes pela própria natureza, não pela força que impomos aos outros, mas pela grandeza humana que somos capazes de cultivar!
Que o Brasil cresça em consciência, justiça, fraternidade e respeito. Que a humanidade reconheça que nenhuma ideologia, vaidade ou disputa deve valer mais do que a dignidade da pessoa humana.
Que sejamos capazes de honrar a Deus não apenas com os lábios, mas com a maneira como tratamos cada pessoa que encontramos pelo caminho.
Aracaju, 12 de outubro de 2026.
Ângela Santos de Oliveira
Em defesa da Humanidade, reflexo de DEUS em nós e da nossa melhor visão de Deus em nosso próximo.
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