Se amamos a Deus, que futuro desejamos para a humanidade?


Quando alguém desacredita do mundo e afirma que é preciso acontecer o arrebatamento, cabe uma pergunta: que final estamos desejando para o nosso povo e para o nosso lindo planeta Terra?

Será que a esperança em Jesus precisa vir acompanhada do desejo de ver a humanidade destruída? Será que acreditar na justiça divina significa desejar a separação definitiva entre os bons e os maus, como se nós mesmos estivéssemos livres de erros?

A ira é um sentimento humano. O ressentimento, o medo, a intolerância e o desejo de vingança também podem habitar o coração de quem professa uma religião. Por isso, precisamos ter cuidado para não atribuir a Deus aquilo que nasce das nossas próprias limitações.

Deus é compreendido, na fé cristã, como fonte de amor, misericórdia e justiça. E Jesus nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos, inclusive quando esse próximo não pensa como nós. Em Lucas 9, seus discípulos chegaram a desejar fogo do céu contra aqueles que não os receberam, mas Jesus os repreendeu.

Que ensinamento podemos retirar disso?

Se a nossa esperança religiosa nos faz perder a compaixão pela humanidade, precisamos examinar o que estamos fazendo com essa esperança.

Jesus não nos chamou para sermos juízes arrogantes da dignidade alheia. Chamou-nos à conversão, ao amor, à responsabilidade e à transformação. Reconhecer o pecado não significa abandonar a pessoa à própria sorte. Defender a justiça não exige desejar a destruição de quem erra.

Se todos somos imperfeitos, quem poderia afirmar que merece a misericórdia enquanto o outro merece apenas a condenação?

A Terra é a nossa casa comum. Nela vivem crianças que precisam de oportunidades, famílias que enfrentam dificuldades, pessoas que lutam para mudar, vítimas que precisam de proteção e gerações futuras que dependem das escolhas que fazemos hoje.

Em vez de desejar o fim do mundo, por que não desejar o fim da indiferença, da violência, da fome, da injustiça e do desamor?

Em vez de esperar que Deus elimine aqueles que consideramos maus, por que não trabalhar para que o mal seja enfrentado, as vítimas sejam protegidas, os responsáveis respondam por seus atos e mais pessoas encontrem caminhos de transformação?

Esperar por Jesus e amar a humanidade não precisam ser sentimentos opostos. Para quem professa a fé cristã, a expectativa de sua volta pode caminhar com o compromisso de viver, desde agora, os ensinamentos que Ele deixou.

A pergunta não é apenas se estamos preparados para o encontro com Deus. É também o que estamos fazendo com a vida, com as pessoas e com a criação que nos foram confiadas.

Se Jesus nos ensinou a amar o próximo, que o nosso maior desejo não seja assistir à destruição da humanidade, mas participar da construção de um mundo no qual a justiça não perca a misericórdia, a fé não abandone a responsabilidade e o amor não escolha quem merece ser amado.

Porque uma fé que espera a salvação não deveria encontrar prazer na perdição alheia. E quem acredita no amor de Deus tem motivos para trabalhar pela vida, enquanto houver vida a cuidar e pessoas a amar.

Ângela Santos de Oliveira

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