Há mais desejos do que aquilo que as finanças podem realizar. Reconhecer essa realidade exige autocontrole, discernimento e a capacidade de estabelecer pesos e contrapesos diante daquilo que desejamos. Afinal, podemos fazer muitas coisas, mas nem tudo nos convém.
Há quem queira ultrapassar os limites impostos pela própria realidade financeira e, para esconder a dificuldade de dizer “não posso”, acaba assumindo compromissos que não pode sustentar. Entretanto, não há vergonha alguma em reconhecer os próprios limites. Dizer “não posso” também é um exercício de responsabilidade, honestidade e maturidade.
O código de ética da honestidade é primordial para preservar a autenticidade, a dignidade e a coerência da própria vida. O problema não está em cair, enfrentar dificuldades ou passar por períodos de escassez. O perigo está em permitir que meios reprováveis nos aliciem e nos aprisionem, levando-nos a ceder, corromper princípios e fazer aquilo que, posteriormente, poderá nos causar vergonha.
Não há vergonha em ter menos. Não há vergonha em precisar reorganizar a vida financeira. Não há vergonha em admitir que é necessário sair do vermelho. Vergonhoso seria abandonar a própria dignidade para sustentar uma aparência que não corresponde à realidade.
Por isso, é importante não querer ser aquilo que não podemos ser financeiramente. O dinheiro possui limites, e reconhecer esses limites é também uma forma de liberdade. A autenticidade nos permite viver de maneira compatível com nossas possibilidades, sem transformar a ostentação em medida de valor pessoal.
Também é um engano pensar que ter fé significa possuir tudo aquilo que desejamos. A fé não deve ser confundida com a busca ilimitada por coisas materiais. Quando os bens, a aparência e a vaidade ocupam o lugar dos princípios, o ego passa a conduzir a vida.
O Brasil possui um belo lema: “Ordem e Progresso.” Que possamos compreender esse princípio também na dimensão pessoal: ordem na vida, nas finanças, na saúde, nas relações e nas escolhas; progresso construído com trabalho, responsabilidade, honestidade e coerência.
Não precisamos ter vergonha de viver com menos ostentação. Muitas vezes, uma vida simples, porém construída sobre bases honestas, é muito mais digna do que uma vida de aparências sustentada por escolhas equivocadas.
Quem são os ricos de verdade?
São aqueles que conseguem preservar a dignidade, a honestidade, a autenticidade e a paz de consciência; que vivem de acordo com suas possibilidades e constroem seu patrimônio sem abandonar seus princípios.
Riqueza também é poder olhar para a própria vida e reconhecer: tenho aquilo que conquistei honestamente e vivo com aquilo que posso sustentar com dignidade.
Aracaju, 18 de agosto de 2026.
Ângela Santos de Oliveira
Pedagoga e Advogada
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