FEIRA DE EMPREENDEDORISMO: APRENDER A CONQUISTAR, COMPARTILHAR E ESCOLHER


Hoje, nossa aula foi uma verdadeira Feira de Empreendedorismo, construída a partir dos itens que cada família autorizou os estudantes a levar para decidir, livremente, se seriam destinados à troca, à venda ou à doação.

Cada estudante organizou sua própria mesa para expor seus produtos, apresentando, negociando, fazendo escolhas e aprendendo, na prática, conceitos que muitas vezes parecem abstratos quando ensinados apenas nos livros. Foi uma experiência extremamente rica de aprendizagem, cidadania e formação humana.

Durante as negociações, surgiram situações reais que nos levaram ao Código de Defesa do Consumidor e, principalmente, a muitas reflexões sobre justiça, respeito, responsabilidade, escolhas e direitos.

Aprendemos que não existe obrigação legal de uma pessoa dar a outra aquilo que ela deseja receber. Ganhar algo é uma escolha de quem decide doar. Presente não é dívida, e ninguém deve se sentir no direito de exigir aquilo que pertence ao outro.

Também tivemos uma situação em que um estudante se arrependeu de realizar uma troca e quis desfazê-la. Aproveitamos o acontecimento para estudar, de maneira contextualizada, que uma compra realizada presencialmente não possui, por si só, o direito de arrependimento previsto para determinadas compras fora do estabelecimento comercial. Conversamos ainda sobre situações em que podem existir outros direitos do consumidor, como casos envolvendo defeito do produto, fraude ou publicidade enganosa, compreendendo que cada situação precisa ser analisada de acordo com a lei.

Foi uma aula em que o Direito saiu dos livros e entrou na vida cotidiana das crianças.

Também tivemos uma experiência especial: a confecção, ao vivo e a cores, de um bolo caseiro de aniversário, com recheio de frutas, controle da quantidade de açúcar e utilização de ingredientes naturais. Ao final, refletimos sobre como celebrar um aniversário e tornar um momento especial pode ser algo acessível, econômico, afetivo e prático, sem depender de grandes gastos.

A professora também adquiriu jogos e brinquedos educativos para uso coletivo. E essa foi mais uma oportunidade de ensinar que possuir algo não significa precisar guardar tudo somente para si. Podemos utilizar aquilo que temos, cuidar, compartilhar e permitir que outras pessoas também aprendam e se divirtam.

Assim, trabalhamos a ideia de que a felicidade não pode estar baseada exclusivamente na expectativa de ganhar. Precisamos aprender também a conquistar, construir, compartilhar, cuidar, poupar, estudar e planejar.

Ensinei às crianças que ninguém possui o dever de nos dar aquilo que desejamos. O outro pode nos inspirar, ensinar e nos amar, mas não existe uma obrigação de transformar o desejo de alguém em um presente.

E há algo ainda mais valioso que qualquer bem material: as pessoas que nos educam, nos orientam, nos acolhem e nos amam. O valor humano de uma relação não pode ser medido pelo preço de um presente.

Aprender a olhar para aquilo que o outro conquistou não com inveja ou sentimento de merecimento, mas com inspiração, também é uma forma de educação.

Se alguém possui algo que sonhamos ter, podemos perguntar:

“O que posso aprender com essa conquista? Que caminhos posso construir para, um dia, alcançar algo semelhante?”

Foi nesse sentido que trabalhamos a ideia de plantar, poupar, estudar, trabalhar, planejar e perseverar.

As crianças precisam aprender, desde cedo, que possuem potencial para realizar seus sonhos, mas que muitos sonhos exigem tempo, esforço, responsabilidade, planejamento e escolhas. A vida não deve ser construída sobre a expectativa permanente de receber do outro, mas sobre a capacidade de desenvolver meios próprios para conquistar aquilo que desejamos, sempre respeitando os limites, os direitos e a dignidade das outras pessoas.

Por isso, nossa Feira de Empreendedorismo foi muito mais do que uma atividade de compra, venda, troca ou doação.

Foi uma aula sobre autonomia, cidadania, educação financeira, direitos, deveres, respeito, justiça, consumo consciente, solidariedade, responsabilidade e humanidade.

Foi uma experiência para ensinar que independência também é aprender a administrar nossas expectativas em relação ao que podemos receber dos outros e, ao mesmo tempo, fortalecer nossa capacidade de buscar caminhos próprios para realizar nossos sonhos.

E até a tabela de preços foi pensada para mostrar às crianças que os sonhos podem começar pequenos. Os valores eram acessíveis justamente para transmitir uma mensagem:

Aquilo que hoje parece distante não precisa ser impossível. Pode ser um sonho que começa com uma escolha, um planejamento, uma economia, um aprendizado e uma atitude.

Porque educar não é apenas ensinar a ganhar.

É ensinar a conquistar sem tirar do outro, receber sem exigir, compartilhar sem perder, desejar sem invadir, negociar com respeito e sonhar sabendo construir os caminhos para realizar.

Aracaju, 4 de setembro de 2026.

Ângela Santos de Oliveira

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