Meus títulos não chegam aos pés de quem eles são.


Meus maiores heróis são meus pais.

Meu pai, aposentado, pescador. Minha mãe, aposentada, trabalhadora rural. Pessoas que talvez não tenham recebido os títulos que a sociedade costuma usar para chamar alguém de vencedor, mas que carregam em suas histórias uma grandeza que nenhum diploma, cargo ou reconhecimento seria capaz de medir.

Foi deles que herdei a garra para enfrentar os dias difíceis, a determinação para não desistir e a coragem para continuar quando o caminho parecia estreito demais.

Mas, acima de tudo, foi deles que aprendi o que considero o mais precioso dos legados: amar sem vergonha, honrar enquanto há tempo e ser honesta em qualquer circunstância — até debaixo d’água, quando ninguém está vendo.

Aprendi que caráter não precisa de testemunhas. Que dignidade não se veste para ser admirada. Que honra não deve ser praticada apenas quando há aplausos.

Há valores que se aprendem olhando para a vida de quem veio antes de nós. E eu aprendi olhando para eles.

Por isso, quando penso nos meus próprios títulos, eles parecem pequenos diante daquilo que realmente importa.

Porque antes de qualquer coisa que eu possa dizer que conquistei, existe aquilo que eles me ensinaram a ser.

E talvez essa seja a maior herança que um filho pode receber: não uma vida sem dificuldades, mas a capacidade de atravessá-las sem perder a humanidade, o amor, a honestidade e a fé no que é certo.

Meus pais são meus heróis. E, quanto mais a vida passa, mais compreendo a grandeza silenciosa de tudo o que eles foram e continuam sendo para mim.

Ângela Santos de Oliveira 

Filha de Manoel de Tico Gordo e Carmo de dona Antônia rezadeira 

Comentários

Anônimo disse…
Li para mamãe ela achou muito linda a mensagem. Parabéns por toda verdade.