O herói que mora ao lado e dentro de nós

Ao olhar para a história de tantos pais negros e pobres que conhecemos — homens que acordam cedo, trabalham, sustentam seus filhos, enfrentam o preconceito e continuam lutando mesmo quando quase ninguém reconhece seus esforços — eu me emocionei.

Chorei porque percebi o quanto o preconceito pode nos impedir de enxergar o heroísmo que existe tão perto de nós.

Muitos desses homens são chamados de “fracassados” simplesmente porque não alcançaram o modelo de sucesso que a sociedade aprendeu a admirar. Mas o que não se vê, muitas vezes, é a batalha diária: o trabalho, as renúncias, a responsabilidade com a família, a resistência diante da pobreza e o enfrentamento constante do racismo e da exclusão.

E então me pergunto: quem decidiu quais homens deveriam ser lembrados como vencedores e quais deveriam ser esquecidos?

Durante muito tempo, as histórias de sucesso foram contadas exaltando homens considerados superiores e vitoriosos, enquanto tantas outras trajetórias de resistência, trabalho, sobrevivência e construção foram silenciadas.

Também precisamos olhar para a história sem romantizar a exploração. A colonização foi marcada por invasões, violência e apropriação de territórios, riquezas e trabalho, e essas estruturas deixaram consequências que atravessam gerações.

Talvez seja por isso que precisamos aprender a enxergar melhor.

O herói nem sempre está nos livros, nos monumentos ou nos grandes discursos.

Às vezes, ele está dentro de casa, trabalhando, cuidando dos filhos, enfrentando o preconceito, sustentando sonhos e seguindo em frente mesmo quando o mundo insiste em dizer que ele não venceu.

Há histórias de coragem vivendo ao nosso lado.

Precisamos apenas aprender a reconhecê-las.

Aracaju, 25 de setembro de 2026.

Ângela Santos de Oliveira

Pedagoga e Advogada


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