Quanto mais subimos, mais rarefeito se torna o ar.
Talvez a vida também seja assim: quanto mais alto chegamos, mais precisamos aprender a respirar de outra maneira. Já não basta subir. É preciso encontrar o equilíbrio que nos permita permanecer inteiros.
Há uma fase da vida em que começamos a compreender que agradabilidade não significa ausência de demandas. A paz não é necessariamente o silêncio dos problemas, mas a capacidade de permanecer em nós mesmos enquanto a vida acontece ao nosso redor.
É quando aprendemos a nos priorizar sem abandonar ninguém.
Aprendemos também que não precisamos exercer pressão sobre nós mesmos para preencher os vazios de quem ainda não encontrou o próprio eixo. Cada pessoa tem seu tempo, seus processos, suas ausências e suas descobertas.
E algumas faltas deixam de fazer falta quando descobrimos a força da nossa própria presença.
O tempo do outro não determina o nosso. O ritmo de uma conquista não estabelece o nosso valor. Nem toda demora é fracasso, assim como nem toda chegada é realização.
Há coisas que florescem somente quando chega o seu tempo.
Por isso, talvez seja tão importante olhar para os nossos resultados pelo nosso próprio prisma. Nem tudo precisa ser confirmado pelo olhar do outro para ter valor. Nem toda conquista precisa de aplauso. Nem toda escolha precisa de aprovação.
Existe uma liberdade silenciosa em perceber que podemos reconhecer a beleza da nossa própria caminhada.
E, quando finalmente encontramos nosso eixo, compreendemos que felicidade não é algo que precisa ser buscado incessantemente fora de nós.
Ela pode morar na presença.
Na consciência.
Na serenidade de saber quem somos.
Na capacidade de respirar profundamente mesmo quando o ar parece rarefeito.
Porque, no fim, talvez a felicidade não esteja fora do nosso peito, nem distante da nossa alma.
Talvez ela esteja justamente naquele lugar para onde aprendemos a voltar quando o mundo inteiro parece nos convidar a sair de nós mesmos.
Aracaju, 24 de setembro de 2026.
Ângela Santos de Oliveira
Comentários