Seu carro e sua casa estão quitados? Se você é pai ou mãe, seus filhos poderão reproduzir com facilidade as condições que você lhes proporcionou? Você conseguiria garantir esse mesmo patrimônio para filhos e netos?
E outra pergunta: com que idade você conseguiu quitar todas as suas dívidas?
Seu carro, sua casa, sua empresa e seus investimentos estão realmente livres de financiamentos, dívidas e compromissos? E, mesmo quando estão, será que isso significa que você está fora das necessidades coletivas?
Você acha que não precisa de políticas públicas?
Não precisa de escola pública, saúde pública, segurança, infraestrutura, fiscalização, justiça, proteção ambiental ou de um Estado que funcione?
Será mesmo que alguém está completamente fora do social?
Ser economicamente privilegiado não significa estar separado da sociedade. A própria riqueza depende de uma sociedade organizada, de trabalhadores, de serviços, de infraestrutura, de regras, de instituições e de oportunidades.
Então, quando alguém se considera superior aos chamados “pobres”, talvez valha a pena fazer uma pergunta ainda mais profunda:
Você é rico apenas porque possui mais, ou também porque aprendeu a reconhecer a dignidade de quem possui menos?
Porque patrimônio pode ser acumulado.
Conhecimento pode ser adquirido.
Dinheiro pode ser perdido ou multiplicado.
Mas caráter, humanidade e consciência social não deveriam depender da conta bancária.
No fim, talvez a verdadeira riqueza também esteja na capacidade de compreender que ninguém constrói sua vida completamente sozinho — e que uma sociedade melhor não é aquela em que alguns conseguem se colocar acima dos outros, mas aquela em que a dignidade humana não é privilégio de poucos.
Por nós!
Ângela Santos de Oliveira
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